lunes, 16 de febrero de 2009

Belém versus Davos: Os refletores sobre o Gattopardo

13/02/2009 - 12h02
> Belém versus Davos: Os refletores sobre o Gattopardo
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> Por Mario Lubetkin*
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> ROMA, fevereiro/2009 – Está à vista dos leitores, em todo o mundo. Os meios de informação dedicaram amplo espaço ao Fórum Econômico Mundial (FEM) realizado na cidade suíça de Davos, do qual participam, desde 1971, os mesmos políticos e empresários que durante décadas asseveraram que o capitalismo caminhava para uma segura e cada vez mais generosa prosperidade e que hoje prometem regenerá-lo sem oferecer uma explicação plausível para a catastrófica recessão atual.
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> Os mesmos meios de comunicação dedicaram escassa cobertura ao antagônico e paralelo Fórum Social Mundial (ambos terminaram no dia 1º deste mês), que aconteceu na amazônica cidade de Belém, no Estado do Pará, cujos participantes afirmam desde sua fundação, em 2001, que o sistema capitalista neoliberal, piorado com a desregulamentação empreendida desde os anos 80, caminhava para um desastre que muito se assemelha ao que hoje sofremos.
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> Do Fórum Social Mundial (FSM) participaram expoentes de um vasto espectro de posições de esquerda e progressistas e é inegável que suas críticas atingiram o alvo, embora a miríade de propostas lançadas para reformar o sistema econômico e criar “outro mundo possível” possam ser em parte contraditórias e utópicas. Isto torna razoável a posição de uma maior curiosidade da mídia internacional a respeito dos diagnósticos e prescrições que seriam apresentados em Belém. Sobretudo porque este ano o FSM, que era considerado apenas uma tribuna para o debate e a denúncia, adotou um programa de objetivos e mobilizações que produzirá notícias no futuro imediato.
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> Uma conclusão compartilhada pelos observadores é que em Belém foram assentadas as bases para um fórum de propostas e não apenas de “resistência”. De fato, o primeiro Fórum Temático Global deste ano enfocou a problemática da Amazônia nessa direção. O Fórum de Belém manteve uma forte presença quantitativa (mais de cem mil pessoas) e qualitativa, já que pela primeira vez participaram simultaneamente cinco presidentes: Luiz Inácio Lula da Silva,do Brasil, Evo Morales, da Bolívia, Rafael Correa, do Equador, Fernando Lugo, do Paraguai, e Hugo Chávez, da Venezuela. A América Latina é hoje a região mais à esquerda do mundo e isto, segundo estes presidentes, se deve em parte à influência do FSM.
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> Qual a razão para desta tendência em diminuir a cobertura do FSM que se notou nos últimos anos? Reduzir a resposta a “decisões ideológicas” de grandes meios de comunicações que incidem na definição da agenda informativa internacional, só poderia se referir a alguns casos. E não explica o motivo de aqueles mesmos meios darem ampla cobertura ao Fórum nos primeiros anos. Um fator a ser considerado é que o FSM ainda não se deu os instrumentos adequados para promover suas atividades com maior impacto em nível internacional. Isto foi tratado no Fórum da Mídia Livre, e é uma das matérias pendentes de resposta do próprio FSM. Também devem ser consideradas as reais insuficiências de atenção aos jornalistas presentes e às limitações tecnológicas.
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> Embora alguns afirmem que não deveria ter sido dada tanta atenção aos presentes no FEM, já que são correspondentes do cataclismo financeiro (“não vou para não ouvir uma ladainha de críticas”, disse, com razão, Lula sobre sua ausência em Davos), talvez esse seja o contraditório motivo: a expectativa de conhecer como os pilotos do naufrágio tratarão de por a nave a salvo e como os desreguladores vão regular o descarrilado sistema financeiro. Porque é um fato que, ao longo de todo o mundo ocidental, capitalista e neoliberal, seguem firmes em seus postos os políticos e financistas que despojaram de controles o sistema financeiro – salvo contadas exceções – e que se preparam, como denuncia o FSM, a salvarem a si mesmos com o dinheiro dos contribuintes.
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> O melhor exemplo é dado pela equipe econômica de Obama, cuja vitória significou, nos campos político e social, um deslocamento do eleitorado norte-americano para posições menos conservadoras. Mas as duas figuras dominantes no setor econômico são o secretario do Tesouro, Timothy Geithner, e o chefe de assessores econômicos presidenciais, Lawrence Summers, até ontem nada além de dois fogosos desreguladores. O primeiro como presidente do Banco Federal de Nova York e o segundo como secretário de Tesouro do último governo de Bill Clinton. Os selecionados assistentes em Davos representam o establishment econômico e seu perdurável instinto de conservação do poder, que recorda o célebre lema do príncipe siciliano no romance O Gattopardo: “mudar para que tudo fique igual”.
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> Quanto ao FSM, sabemos que, enquanto este ano serão implementados o programa e as mobilizações decididas em Belém, em 2010 não se reunirá um fórum central, mas sim diversas iniciativas descentralizadas. De modo que a surdina sobre o FSM voltará, a menos que para as iniciativas de 2009 e 2010 se consiga programar uma ação forte e articulada de difusão informativa, sobretudo, com vistas a janeiro de 2011, quando acontecerá na África o próximo Fórum Social internacional.
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> (*) Mario Lubetkin é diretor-geral da agência de notícias IPS – Inter Press Service.
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> (Envolverde/IPS)

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